Em debate promovido pelo grupo Derrubando Muros, em São Paulo, o pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, disse nesta terça-feira, 7, que tem "coragem" para assinar e enviar ao Congresso um projeto que tipifique o crime de traição à pátria. A declaração foi dada ao comentar a atuação de integrantes da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos.
Caiado classificou como inaceitável a tentativa de interlocução de Eduardo e Flávio Bolsonaro com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre o adiamento de tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Ao criticar essa movimentação, o pré-candidato comparou a eventual modulação das tarifas a manobras que equivaleriam a multas por interferência política.
O ex-governador mencionou ainda o jurista Miguel Reale como responsável por eventualmente redigir a proposta que caracterizaria a conduta como crime. Na mesma fala, trouxe à tona preocupações sobre práticas de dumping e a aplicação insuficiente da legislação antidumping pelo Brasil, sinalizando uma agenda de defesa da soberania econômica.
Ao mesmo tempo, Caiado reiterou a defesa de uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado pelo STF por tentativa de golpe, segundo decisões judiciais — e prometeu encaminhar o ato no primeiro dia de eventual mandato. A combinação das propostas gera uma tensão política evidente: criminalizar condutas de suposta traição ao país enquanto se propõe perdão ao líder de um movimento golpista.
Politicamente, a declaração funciona como tentativa de ocupar espaço firme no eleitorado conservador, mas também expõe contradições que podem complicar alianças e atrair críticas de adversários e instituições. A proposta de tipificação e a defesa da anistia prometem dominar o debate sobre segurança jurídica, responsabilidade e os limites entre punição e reconciliação política.