Ronaldo Caiado transformou em arma de campanha um momento do debate promovido pela Band: nas redes sociais, o candidato do PSD ironizou o que foi interpretado como um cochilo do seu vice, Gilberto Kassab, enquanto o evento acontecia. O episódio ganhou repercussão porque o encontro reuniu apenas três dos 13 presidenciáveis, um pano de fundo que pesa na leitura política do ato.
Kassab respondeu à brincadeira com uma mensagem que minimizou o episódio, afirmando ter interagido com eleitores e atribuindo o episódio ao cansaço natural da campanha. A troca pública teve tom de descontração, mas também serviu a Caiado para reforçar uma imagem de tranquilidade e segurança, ao sugerir que seu governo permitiria que o eleitor "durma tranquilo".
O debate contou apenas com Caiado, Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão). Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não compareceram, assim como Romeu Zema (Novo). Mesmo ausente, o presidente reeleito foi o principal alvo das críticas dos presentes, que lembraram desde denúncias no INSS até problemas em educação, saúde e segurança. Augusto Cury chegou a cobrar a presença do presidente para responder ao que chamou de caos na educação.
A baixa adesão expõe uma escolha estratégica das campanhas: a ausência do líder de intenção de voto reduz o risco de confronto direto e de desgaste em palco, mas também desvaloriza o formato dos debates. No caso de Flávio Bolsonaro, a orientação interna foi clara: só participar de eventos quando Lula também for, uma tática que preserva simetria política e evita exposição seletiva.
O episódio revela dois efeitos práticos. Para candidatos menores, como Caiado, comentários pontuais e momentos virais são oportunidade para ampliar visibilidade e apontar contradições do governo ausente. Para o ambiente democrático, entretanto, a repetição de faltas compromete o caráter fiscalizatório dos debates e tende a transformar confrontos públicos em peças de campanha nas redes, com alcance e efeitos distintos dos tradicionais embates televisivos.