Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) avaliam que a decisão de deixar o país e seguir rumo aos Estados Unidos — segundo relatos, utilizando passaporte italiano e passando pela Argentina — foi uma medida preventiva diante do avanço de investigações que podem colocá‑lo na mira do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. No núcleo do PL, a movimentação é tratada como um cálculo para reduzir a exposição a eventuais medidas judiciais.
A versão tem circulado nos bastidores do partido desde que veículos noticiaram a possível saída. A Polícia Federal informou que apura sinais sobre uma passagem pela Argentina, enquanto autoridades argentinas dizem não registrar oficialmente a entrada de Flávio. Até o momento não há confirmação independente de que o senador tenha efetivamente embarcado para os Estados Unidos, nem dados públicos que comprovem uso do passaporte europeu.
A narrativa de aliados — e a manifestação pública de ex-assessores que saíram em defesa do gesto — traduz o ambiente de incerteza sobre segurança jurídica no caso e expõe um dilema político: se confirmada, a saída pode ser interpretada pela oposição e por parte da opinião pública como tentativa de esquivar-se de responsabilizações; para o núcleo bolsonarista, por outro lado, seria uma antecipação prudente diante de decisões que reputam imprevisíveis.
Do ponto de vista institucional, os episódios ampliam a pressão sobre investigadores e sobre o próprio PL: autoridades serão cobradas a esclarecer o que ocorreu e a demonstrar que o país tem mecanismos eficazes para apurar eventuais irregularidades independentemente de deslocamentos internacionais. Politicamente, o episódio acende alerta sobre o desgaste do grupo bolsonarista e sobre os riscos táticos para aliados que se associem à narrativa de fuga sem provas confirmadas.