A Câmara dos Deputados celebra, nesta terça-feira (6), o bicentenário da primeira sessão conjunta da Assembleia Geral Legislativa, realizada em 6 de maio de 1826, dois anos após a promulgação da Constituição de 1824 que instituiu o modelo bicameral. A programação oficial inclui sessão solene no plenário, exposições e conteúdos institucionais que resgatam a trajetória do Parlamento desde o Império até a atualidade.

A cerimônia principal, prevista para as 10h, foi apresentada pela presidência da Casa como momento de reafirmação da Constituição como referência para as decisões políticas. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ressaltou a curta duração da ordenação democrática moderna — cerca de 40 anos desde a redemocratização — e lembrou episódios recentes que marcaram o regime, como dois processos de impeachment, além das grandes reformas aprovadas pelo Congresso.

A evolução institucional também aparece nas mudanças do processo eleitoral e da representação: a primeira legislatura funcionou com deputados escolhidos por eleições indiretas e um Senado de 50 membros; hoje ambas as Casas são compostas por representantes eleitos diretamente pela população. A narrativa oficial destaca o papel do Parlamento na consolidação das instituições e na construção da memória democrática brasileira.

Embora o tom seja comemorativo, o bicentenário funciona como um chamado à ação. A efeméride acende um alerta sobre a necessidade de transformar simbolismo em práticas concretas: transparência, eficiência administrativa e responsabilidade fiscal. Em um contexto de debates polarizados e demandas por resultados, a Câmara precisa demonstrar que preserva a Constituição não apenas em palavras, mas em decisões capazes de fortalecer a confiança pública e garantir a efetividade das instituições.