A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1, passando a garantir dois dias de descanso por semana e reduzindo a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. A votação se deu em dois turnos: no primeiro, 472 votos favoráveis e 22 contrários; no segundo, 461 a favor e 19 contra. A ampla maioria consolida a mudança, mas não encerra o debate sobre sua aplicação prática.

A oposição ao fim da 6x1 foi restrita a parlamentares de apenas cinco unidades da federação — Roraima, Maranhão, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul —, sinalizando que o desgaste político da iniciativa foi limitado no Congresso. Ainda assim, o placar revela dissenso setorial, possivelmente ligado a interesses de empregadores e operações que dependem de escalas contínuas.

Do ponto de vista econômico e administrativo, a emenda levanta questões concretas: quem arcará com o custo adicional de pessoal em serviços que funcionam 24 horas (saúde, segurança, transporte)? Como serão tratadas as categorias com regimes específicos? Há risco de aumento de custos para empresas e entes públicos, e de pressão sobre contratos terceirizados e sobre a informalidade, se a implementação não vier acompanhada de regras claras.

Politicamente, a aprovação dá fôlego a movimentos sindicais e a parte da bancada trabalhista, mas impõe ao legislativo e ao Executivo a necessidade de regulamentação afinada para evitar efeitos adversos. A lista completa de como votaram os deputados foi divulgada pela Câmara; nas próximas semanas, a discussão passa a se concentrar na aplicação prática e em medidas compensatórias para setores mais impactados.