A Câmara dos Deputados incluiu na pauta desta segunda-feira (31) a votação da medida provisória 1.357/2026, apelidada de “taxa das blusinhas”. De autoria do Executivo, a proposta zera o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais pela internet de até US$ 50. A Comissão Mista se reúne às 16h para votar o relatório favorável da senadora Leila Barros (PDT-DF); se aprovada, a matéria segue ao plenário da Câmara, cuja sessão deliberativa começa às 18h.
A instalação da comissão mista chegou a ser postergada pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), e só avançou após conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador. A MP perde validade em 8 de setembro caso não seja aprovada pelas duas casas, o que atraiu articulação política intensa nas últimas semanas.
O fim da tarifa enfrenta resistência de setores industriais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que o tributo protege contra concorrência considerada desleal de produtos importados, sobretudo da China; o governo, por sua vez, sustenta que a redução facilita o acesso de consumidores a bens de baixo valor e estimula o consumo popular. Essa divergência traduz um dilema entre política pública de apoio ao consumo e pressão por proteção da indústria nacional.
A votação ocorre em uma semana de esforço concentrado do Congresso, com outras pautas de interesse do governo em análise, como a PEC que prevê fim da escala 6x1 na CLT (CCJ do Senado analisa na quarta-feira o parecer do relator Omar Aziz) e medidas provisórias voltadas a trabalhadores de aplicativos (MP 1360/2026 e MP 1366/2026). O encaminhamento da MP das blusinhas terá efeitos políticos claros: sua aprovação pode reforçar a narrativa de proteção ao poder de compra popular, ao passo que o avanço sem acomodação ao setor produtivo amplia desgaste e tensiona aliados do governo no Congresso.