A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, em votação apertada e em regime de urgência, o projeto que autoriza o GDF a contratar empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O montante destina-se a cobrir parte das perdas do Banco de Brasília (BRB) relacionadas a negócios com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, entre 2024 e 2025. O texto ratifica o acordo já firmado com a União e com o Banco Central, e foi homologado previamente pelo Supremo Tribunal Federal.
A decisão, porém, gerou críticas imediatas. Parlamentares de oposição e independentes apontaram lacunas no projeto: não haveria transparência suficiente sobre taxas, prazos e impacto fiscal. A reclamação ganhou força diante da ausência da publicação do balanço de 2025 do BRB — obrigação que, segundo normas, deveria ter sido cumprida até 31 de março — o que levanta dúvidas sobre o tamanho real das perdas e sobre a justificativa técnica do socorro.
O texto aprovado vincula garantias a recursos recebidos pelo DF via FPE e FPM e impõe medidas de controle de despesas públicas. Na prática, isso pode restringir a realização de concursos, reajustes salariais e outras despesas, segundo o próprio conteúdo do projeto. Entidades de servidores, como o Sinpro, alertam que a operação tende a deslocar recursos da educação, saúde e segurança, precarizando serviços e pressionando trabalhadores públicos por anos.
Com a aprovação, a disputa política volta-se para a execução e para a exigência de transparência: a prioridade agora é a divulgação completa dos demonstrativos do BRB e a apresentação detalhada do cronograma e dos custos do empréstimo. Sem esses dados, o socorro corre o risco de virar um passivo fiscal e político para o governo distrital, com potencial de gerar reação de servidores, pressão de opositores e desgaste institucional.