Camelôs de várias regiões do Rio se reuniram nesta quarta em frente à sede da Prefeitura em protesto contra o Programa Tolerância Zero, anunciado pelo governo municipal. Com faixas e palavras de ordem, os ambulantes afirmaram que a intensificação da fiscalização tem impedido trabalhadores de exercer suas atividades e pediram diálogo direto com o prefeito Eduardo Cavaliere.

A gestão municipal informou que as ações começam em 16 de julho e vão abranger Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon. Segundo a Prefeitura, o objetivo é desarticular estruturas ligadas ao crime organizado que exploram pontos comerciais irregulares, não punir trabalhadores autorizados. O secretário de Ordem Pública afirmou que a operação será permanente, baseada em inteligência e em parceria com as forças de segurança, e que já foram identificados mais de mil pontos de venda irregulares.

Os manifestantes, porém, dizem ser alvo de uma associação generalizada ao crime e reivindicam que apenas quem comete irregularidade seja responsabilizado. Representantes da categoria relataram longos protocolos de regularização pendentes — com casos apontados desde 2001 e 2009 — e relataram dificuldades recentes para trabalhar em áreas onde o ordenamento começou a ser aplicado. O movimento exige reunião com o prefeito, não apenas com secretários, para tratar da liberação de autorizações.

Do ponto de vista político, a medida coloca a Prefeitura diante de um dilema: equilibrar o combate a redes criminosas e a necessidade de garantir o direito ao trabalho de milhares de ambulantes. A falta de ritmo na regularização exposta pelos manifestantes amplia desgaste e acende alerta sobre custo social e político da operação. Para evitar reação ampliada, a administração precisa combinar ações de inteligência com medidas administrativas rápidas que ofereçam alternativas legais aos trabalhadores.