O ex-ministro Camilo Santana afirmou neste sábado que a Meta — dona do Instagram e do Facebook — provocou um 'desequilíbrio' na disputa presidencial ao registrar uma sequência de falhas que, segundo ele, prejudicaram a divulgação de conteúdos da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 15 dias do segundo turno. O PT comunicou que vai adotar "todas as medidas cabíveis" junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Dirigentes do partido relataram problemas concretos: contas de anúncios fora do ar durante o primeiro turno, interrupções no registro de visualizações em publicações recentes e impedimentos temporários para impulsionar conteúdos no feed do Instagram. A Meta atribuiu os episódios a questões técnicas, mas, segundo a coordenação petista, as explicações não foram consideradas suficientes e faltou transparência sobre causas e correções.

A denúncia acende alerta sobre a vulnerabilidade da comunicação eleitoral às falhas das plataformas digitais e amplia desgaste sobre a governança das empresas de tecnologia num momento sensível. Politicamente, a disputa exige respostas rápidas do TSE e da ANPD — não apenas para apurar eventuais irregularidades, mas também para resguardar a igualdade de acesso à audiência no período decisivo de campanha. A pressão sobre a Meta pode assumir caráter jurídico e reputacional, dependendo do resultado das apurações.

Além de questionar a atuação da plataforma, Camilo direcionou críticas ao adversário Flávio Bolsonaro, cobrando explicações sobre investigações que envolvem o INSS e ressaltando diferenças programáticas, como a defesa da escala 6x1, a posição sobre apostas on-line e possíveis cortes em políticas sociais. A estratégia do PT é usar esses temas para contrastar propostas e forçar uma reação da campanha adversária na reta final.

No plano prático, o episódio complica a narrativa oficial sobre normalidade nas redes e gera risco real de perda de alcance em uma fase em que cada contato com o eleitor pesa. Resta saber se os órgãos reguladores irão acelerar verificações e exigir da Meta medidas de transparência e remediação. Se confirmadas irregularidades, a movimentação tende a gerar custo político à plataforma e a redesenhar os debates sobre fiscalização e confiança no ambiente digital eleitoral.