Lideranças do setor rodoviário anunciaram que caminhoneiros iniciarão paralisação nos portos brasileiros a partir da 0h desta segunda-feira (13/7). O objetivo é pressionar o Senado a votar a Medida Provisória 1.343/2026 — a chamada MP do Frete — cuja vigência termina em 16 de julho. O movimento, informado por Wallace Landim (Abrava), busca forçar a inclusão do texto na pauta e aponta diretamente para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A MP cria um mecanismo eletrônico que integra o CIOT ao MDF-e para impedir a emissão do código de transporte quando o frete for declarado abaixo da tabela da ANTT. Mantém o piso mínimo com atualização periódica técnica, amplia a responsabilidade em subcontratações e fixa regras de pagamento: quitação em até 30 dias; para autônomos, 70% antes da viagem e 30% em até três dias úteis após entrega. Há previsão de prazo de 60 dias para adequação.
Além disso, a proposta prevê piso salarial de R$ 5 mil para motoristas CLT em viagens de longa distância, incentivos à renovação da frota, estímulo a pontos de parada e endurecimento das penalidades administrativas — que podem levar à suspensão ou cancelamento do registro de transportadoras em caso de reincidência. Na tramitação na Câmara, o relator incluiu anistia para participantes de bloqueios pós-2022 e conversão de multas em advertências, pontos que têm gerado resistência política.
Com a aprovação na Câmara em 17 de junho e o prazo exíguo até quinta-feira, a paralisação acende alerta sobre riscos logísticos e amplia a pressão sobre o Senado para agir rapidamente. O cenário cria uma opção pesada: votar o texto como veio da Câmara para evitar o colapso imediato nas cadeias de abastecimento, ou adiar a decisão e enfrentar maior mobilização dos caminhoneiros — e o custo político associado à percepção de inação.