A coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva comemorou nesta quarta-feira decisões do Tribunal Superior Eleitoral que alteraram o conteúdo disponível nas redes durante a campanha. Assinadas pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, as providências tiraram do ar anúncios e publicações que associavam o presidente e o PT a práticas ilícitas e, ao mesmo tempo, indeferiram pedidos para remover peça do PT que liga Flávio Bolsonaro ao Banco Master.

No caso da propaganda petista sobre Flávio Bolsonaro, o ministro considerou que a própria admissão do senador quanto à autenticidade de um áudio — e o reconhecimento de que ali se tratava de conversas sobre patrocínio — afasta, em princípio, a alegação de falsidade. A decisão manteve, portanto, no ar o material que explora a ligação entre o parlamentar do PL e o escândalo financeiro que atingiu o Banco Master.

Por outro lado, o tribunal também determinou a remoção de conteúdos publicados pelo PL e por apoiadores, num pacote que abrangeu um vídeo intitulado 'Copa da Corrupção do INSS' (impulsionado no Facebook e Instagram), páginas que associaram o PT ao nazismo e ao PCC, posts do deputado Eduardo Bolsonaro que questionavam as urnas com base em um relatório estrangeiro e até um outdoor em Balneário Camboriú com caricatura de Lula. A justificativa variou entre impulsionamento indevido e material sabidamente inverídico.

Politicamente, o conjunto de decisões é ganha‑ganha para a campanha petista: ao mesmo tempo em que preserva uma peça que atinge um adversário, corta espaços de comunicação da oposição. Para o PL e o núcleo Bolsonaro, as ordens do TSE representam perda de canais de ataque e exigem revisão de estratégia digital e jurídica. Para o tribunal, as medidas reforçam seu papel de árbitro diante da circulação acelerada de conteúdos eleitorais nas plataformas.

A leitura crítica é inevitável: decisões divergentes em um curto espaço podem intensificar a narrativa de contencioso judicial entre campanhas e provocar reclamações sobre suposta assimetria. Mas, juridicamente, o TSE voltou a pautar limites à propaganda paga e à desinformação, reafirmando que a disputa eleitoral será disputada também nas cortes e nas regras que regem o ambiente digital.