Membros da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliaram, nos últimos dias, que o eleitorado de direita corre risco de dispersão e que essa fragmentação pode comprometer a hipótese de o candidato herdar integralmente a mobilização construída pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A análise interna identifica o surgimento de duas concorrentes claras nesse mesmo segmento — Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) — cujas candidaturas atraem parcelas do eleitorado conservador que ainda não se alinharam a Flávio. Esse diagnóstico, segundo interlocutores da campanha, acende alerta sobre a necessidade de ajustes táticos e de imagem.
Como resposta imediata, a campanha discute reforçar a associação entre Flávio e Jair Bolsonaro. A estratégia passa por explorar a identificação familiar e realizar ações com forte apelo popular e simbólico — a motociata é citada nos bastidores como formato capaz de reproduzir, em parte, a mobilização de 2018 e de reacender o engajamento da base. A ideia é transformar a relação pai‑filho em ativo eleitoral para recuperar eleitores conservadores que demonstram resistência à candidatura do senador ou consideram alternativas no campo da direita. Fontes envolvidas no processo definem o movimento como tentativa de consolidar o espólio político do ex‑presidente.
A opção por ancorar a candidatura na figura de Jair tem efeitos ambíguos. Do ponto de vista da mobilização de base, aproximar‑se do ícone bolsonarista pode reduzir a dispersão e acelerar a captação de votos já identificados com o legado do governo anterior. Em contrapartida, essa dependência ampliará o risco de limitar a capacidade de Flávio de construir um perfil próprio e ampliar o eleitorado para além do núcleo duro. Em termos práticos, a tática pode complicar a narrativa oficial da campanha: ganha intensidade no curto prazo, mas corre o risco de estreitar o espaço de manobra político e estratégico no médio prazo.
Politicamente, a situação coloca pressão sobre o PL e sobre a coordenação da campanha: se a dispersão persistir, haverá custo eleitoral e desgaste no processo de montagem de alianças e capilaridade territorial. A manutenção do espólio bolsonarista como ativo não é automática, afirmam assessores, e depende tanto de presença e simbolismo quanto de oferta programática reconhecível pelo eleitor conservador. A alternativa — construir um projeto mais autônomo — exige tempo e contraria a urgência de conter a saída de votos para Caiado e Zema. Em suma, o dilema central é político: priorizar mobilização imediata ou investir na ampliação do apelo, com custos e incertezas para a consolidação do espaço à direita.