A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) promoveu na tarde de sábado (26/9) uma transmissão ao vivo no canal TV Celular Flávio Bolsonaro com o objetivo central de desmentir a circulação de publicações que o vinculavam à suposta retirada de Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira do Brasil. A live, iniciada por volta das 15h, reuniu representantes de diferentes tradições religiosas e teve como tema a ideia de que “atacar a Igreja é atacar uma instituição de apoio social e espiritual”.

Entre os participantes estavam o candidato e pai de santo Sérgio Pina (PSDB), que disputa uma vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro e ganhou repercussão ao aparecer em um almoço com Jair Bolsonaro e governadores em abril de 2025; o pastor Ramon Lima; o reverendo Aldo Quintão, da Igreja Anglicana; e o padre Salathiel de Souza, da diocese de Jundiaí, responsável pelo portal Amém. Também foi anunciado o padre Kelmon, que, segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), não possui vínculo com a Igreja Católica Apostólica Romana e se apresentou como integrante de outra tradição cristã.

A iniciativa ocorre um dia após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob relatoria do ministro André Mendonça, que determinou a remoção de milhares de publicações sobre o caso de plataformas como Meta, X, YouTube e TikTok. Flávio negou repetidamente as alegações e recorreu à Justiça para conter a difusão das mensagens — a live aparece, nesse quadro, como tentativa de reconstruir a narrativa diante do público religioso e digital.

Do ponto de vista político, a movimentação cumpre dupla função: reforçar a defesa pública do candidato e sinalizar mobilização de redes religiosas capazes de ampliar alcance da mensagem. Ao mesmo tempo, a presença de figuras com perfil controverso e a inclusão de representantes não reconhecidos por instâncias tradicionais da Igreja Católica podem limitar a eficácia do discurso junto a setores mais sensíveis do eleitorado. A medida do TSE, além de reduzir a circulação do material, acende alerta sobre o custo jurídico e reputacional da estratégia e complica a narrativa oficial, que terá de combinar reação legal com ações de convencimento junto a diferentes comunidades de fé.