A campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou no penúltimo fim de semana antes do segundo turno apostando na mobilização de rua: segundo a coordenação, cerca de 300 atos ocorreram neste domingo, organizados por estudantes, movimentos sociais e apoiadores. Em Brasília e em São Paulo, incluindo a Avenida Paulista, a presença de dirigentes e de multidões tem sido usada como sinal de força para tentar ampliar votos e marcar diferenças com o adversário Flávio Bolsonaro.
A movimentação ganhou reforço institucional com o afastamento de Sidônio Palmeira da Secretaria de Comunicação Social para dedicar-se à campanha, e com a entrada de Camilo Santana na coordenação petista. A campanha enfatiza pautas sociais — fim da escala 6x1, críticas a um eventual corte de R$ 250 bilhões apontado pelos petistas e defesa de medidas para proteger o poder de compra — e cita ações do governo, como redução de impostos sobre combustíveis e iniciativas contra apostas on-line, como exemplos do que atribui ao projeto atual.
Do lado estratégico, a campanha tenta transformar entusiasmo nas ruas em pressão política no curto prazo: Sidônio relacionou as mobilizações à votação sobre a escala 6x1 no Congresso, prevista para esta semana. A aposta é clara, mas limitada: atos amplificam visibilidade e coesão do eleitorado mobilizado, porém não garantem a conversão automática de apoio em votos nem asseguram mudanças no posicionamento de parlamentares.
Politicamente, a operação acende alerta para adversários e busca reduzir a margem de indecisos, mas também expõe vulnerabilidades — sobretudo a dependência de aparato mobilizatório e a necessidade de transformar presença física em comparecimento às urnas. Nas próximas horas, o que estava em jogo era menos um discurso e mais a capacidade da campanha de traduzir rua em vantagem eleitoral e influência sobre decisões legislativas imediatas.