Interlocutores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informaram à reportagem que há a expectativa de que cerca de 300 mil indígenas que ficaram sem votar no primeiro turno consigam votar neste domingo, no segundo turno. A meta faz parte da estratégia do palanque petista para reduzir a abstenção em áreas remotas, um objetivo considerado decisivo em uma disputa apertada.

O movimento ganhou impulso após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reconsiderar uma determinação que condicionava o transporte de eleitores indígenas por órgãos federais à aprovação prévia de cada juiz eleitoral. A nova orientação permite operações de deslocamento em comunidades isoladas sem necessidade de aval individual, segundo relatos obtidos pela reportagem.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) informou que o governo federal adotará medidas para garantir acesso gratuito de indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e famílias assentadas às seções. Quando não for possível disponibilizar transporte, há previsão de ressarcimento das despesas. Para a campanha, a logística federal amplia as chances de conversão da expectativa em comparecimento efetivo às urnas.

Do ponto de vista político, a iniciativa acende alerta e levanta dúvidas sobre a linha tênue entre a promoção do direito de voto e o uso de recursos públicos em ano eleitoral. A mobilização tende a reduzir a abstenção em áreas remotas e, portanto, pode ter impacto direto no resultado; ao mesmo tempo, deverá alimentar debate sobre neutralidade estatal e pressão política em regiões tradicionais, tema que seguirá sob observação durante a apuração.