A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedido para que o tribunal requisite, diretamente às autoridades competentes, dados bancários, fiscais e telefônicos vinculados ao senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) e a pessoas e empresas a ele associadas. A petição, assinada por Lula e registrada na Petição Cível nº 0603195-27.2026.6.00.0000, está sob a relatoria do ministro André Mendonça.
No documento, a campanha afirma ter cumprido o compromisso de divulgação voluntária e anexado procurações fiscais, bancárias e telefônicas de familiares, pessoas próximas e instituições que aderiram ao acordo. Entre os nomes citados pela própria campanha aparecem Lulinha, Janja da Silva e outros integrantes da família do presidente. Ainda assim, a peça jurídica sustenta que a entrega espontânea não garante a integralidade dos documentos e pode deixar lacunas selecionadas no material divulgado.
Para fechar essas brechas, a petição solicita ao TSE que encaminhe requisições ao Banco Central — inclusive por meio do sistema CC5 — para identificar contas e vínculos associados aos CPFs e CNPJs abrangidos; e pede que o Banco Santander forneça dados sobre a conta da Alcazar Holdings, na qual, segundo a petição, Flávio Bolsonaro figura como usuário máster. A campanha pede também que a documentação seja publicada de forma integral e simultânea, com o objetivo declarado de preservar autenticidade e evitar questionamentos sobre seleção de provas.
Politicamente, a iniciativa desloca a disputa do campo da cooperação voluntária para a arena judicial, forçando o TSE a tomar uma posição operacional sobre a obtenção e a divulgação de informações sensíveis. O movimento amplia a pressão sobre o candidato do PL ao criar expectativa de documentos oficiais e de maior publicidade do material, ao mesmo tempo em que tensiona a estratégia de defesa baseada em fornecimento parcial ou sob controle das partes envolvidas.
Do ponto de vista institucional, a requisição coloca o tribunal no centro de um conflito que mistura transparência, prerrogativas investigativas e narrativa eleitoral. Cabe ao relator avaliar o pedido e decidir se as requisições serão autorizadas — uma decisão que terá repercussão política imediata e poderá influenciar a disputa de 2026 ao ampliar ou limitar o acesso público a documentos que ambas as campanhas colocam no centro da disputa.