Membros da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm recomendado que o chefe do Executivo retome de forma clara sua posição sobre o envolvimento do filho Fábio Luís, conhecido pela imprensa como Lulinha. A orientação, segundo interlocutores ouvidos pelo Correio, é que Lula repita que não tolera qualquer uso indevido da ligação familiar para ganhos pessoais, um recado dirigido tanto à opinião pública quanto aos eleitores indecisos.

O encontro de 19/8 no Palácio da Alvorada entre Lula e o advogado de Lulinha, Marco Aurélio, reforçou a avaliação interna de que é necessário controlar o discurso e deixar explícita a disposição do presidente em colaborar com investigações. Auxiliares defendem separar casos que 'respingam' no entorno do presidente daqueles que o atingem diretamente — e citam, nesse contraste, a história revelada pelo The Intercept sobre contrato do Banco Master com o primogênito de Jair Bolsonaro.

Ainda que um eventual desgaste por Lulinha possa ser administrado com mensagens públicas e esclarecimentos, a campanha admite que o caso envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, o chamado Marcola, tende a ser mais sensível. Por ter sido chefe de gabinete e atuar na chamada 'cozinha' do Palácio, a proximidade institucional dificulta a desvinculação e aumenta o potencial de repercussão negativa junto a eleitores e adversários políticos.

Do ponto de vista estratégico, aliados jurídicos e políticos ponderam que a posição oficial deve combinar defesa da investigação com ações concretas de transparência, para conter reflexos eleitorais. O caso coloca a campanha na necessidade de calibrar discurso e provas públicas sem transformar a agenda governamental em narrativa de defesa — um desafio que, se mal gerido, pode ampliar desgaste e complicar a narrativa rumo a 2026.