As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio registraram, em documento dirigido ao ministro André Mendonça, pedido para a abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico. Segundo o coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana, o presidente assinou pessoalmente a autorização. As equipes exigem que os dados sejam requisitados e divulgados em um site de acesso público até as 23h59 desta quinta-feira, para que os eleitores possam consultá‑los antes do segundo turno, marcado para domingo.

O texto detalha o alcance das autorizações. Pelo lado de Lula, a liberação inclui sua pessoa física, familiares indicados na petição, o Instituto Lula e a empresa LILS Palestras, Eventos e Publicações. Na peça assinada pela campanha de Flávio constam a abertura dos próprios sigilos, dos familiares mencionados no pedido e de empresas das quais ele seja sócio ou administrador. O pedido faz menção expressa a mensagens trocadas com Daniel Vorcaro e a contas no Brasil e no exterior nas quais figure, tenha figurado ou exerça funções como titular, procurador, responsável financeiro ou usuário master, incluindo a Alcazar Holdings, no Santander.

Do ponto de vista político, o movimento tem duplo efeito: por um lado, aponta para uma tentativa de blindagem mútua por transparência — publicar informações sensíveis antes do pleito reduz espaço para ataques surpresa; por outro, força uma decisão rápida do Judiciário e do ministro requisitado. A exigência de divulgação em prazo tão curto acende alerta sobre a capacidade das instituições de responder em tempo útil e complica a narrativa de quem precise reagir a eventuais revelações nos próximos dias.

A exigência formalizada até as 23h59 desta quinta coloca em cena um teste de transparência e de agilidade institucional numa fase crítica da disputa. Se cumprida, a divulgação pode recalibrar o debate eleitoral ao trazer documentos primários ao alcance do eleitorado; se negada ou retardada, tende a alimentar questionamentos sobre opacidade e estratégias de controle da agenda. O pedido, além de técnico, tem clara dimensão política: muda o ritmo da pré‑decisão dos eleitores e amplia a pressão sobre atores públicos responsáveis pela liberação dos dados.