Eduarda Campopiano (PL), que conseguiu 1,9 milhão de votos e se tornou a mulher mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo, publicou nas redes sociais uma mensagem que põe em dúvida a identidade de gênero de Erika Hilton (PSOL). Na postagem, Campopiano tratou Hilton como um "homem biológico" e afirmou que ela não poderia ocupar o lugar da mulher mais votada em São Paulo, comentário que foi recebido como ataque transfóbico por críticos.
Os dois resultados mostram força eleitoral distinta: Campopiano chega à Alesp com votação expressiva em nível estadual, enquanto Hilton foi reeleita deputada federal com cerca de 1,5 milhão de votos e passou a ser a mulher mais votada na história da Câmara. O contraste alimenta uma disputa pública entre representantes de visões ideológicas opostas sobre gênero e representação.
A troca de farpas retoma um embate já presente no ano: em março, membros do PL se posicionaram contra a eleição de Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, questionando sua identidade de gênero. Hilton, no entanto, foi eleita e permanece à frente da comissão por um ano. O episódio atual tende a reacender o debate sobre inclusão e sobre quem tem legitimidade para ocupar espaços dedicados às mulheres.
Politicamente, a postagem reforça a linha conservadora da campanha de Campopiano, que se destacou por críticas ao movimento feminista, e pode intensificar a polarização entre os blocos. Para o PL, o episódio tem potencial de trazer desgaste de imagem entre eleitores preocupados com direitos civis; para Hilton e aliados, serve como novo argumento para discutir transfobia institucional e defesa da representatividade nas casas legislativas.