O canal “Exército do Lula”, criado por André Janones no WhatsApp para apoiar a campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, voltará ao ar na tarde desta quinta-feira (15/10) após cumprir a suspensão imposta por 48 horas pelo ministro Kássio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A iniciativa reúne cerca de 4,3 milhões de inscritos e ganhou centralidade por sua capacidade de mobilização em massa.
A suspensão foi determinada na sequência do registro oficial da campanha de Lula; a coligação afirma que o canal não é oficial, mas Kássio entendeu haver ligação entre as atividades da plataforma e a estratégia eleitoral. André Janones sugeriu nas redes que a queda do canal coincidiu com a votação do fim da escala 6x1, afirmando que cada um deveria tirar suas conclusões sobre a coincidência. Anteriormente, Kássio já havia suspendido o canal em resposta a um pedido de Flávio Bolsonaro.
O episódio gerou reação nos bastidores do Judiciário. Auxiliares de ministros ouvidos reservadamente manifestaram incômodo e afirmaram que a atuação de Kássio pode extrapolar os limites usuais da fiscalização eleitoral, abrindo precedentes para intervenção em canais de mobilização digital. O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a suspensão e pediu que a situação seja imediatamente discutida pelo colegiado do TSE, que terá de reiterar ou revisar os limites da atuação da Corte nesse tipo de caso.
Politicamente, o caso acende alerta sobre como decisões judiciais podem interferir na logística de campanhas e na circulação de mensagens em aplicativos privados. Para a campanha de Lula, a paralisação temporária representou risco de perda de dinamismo em uma plataforma com grande alcance; para o TSE, a disputa amplia desgaste e pressiona a Corte a estabelecer critérios mais claros entre liberdade de expressão e fiscalização eleitoral. O retorno do canal não encerra a disputa jurídica: o colegiado do TSE terá papel decisivo para definir parâmetros que podem influenciar a mobilização digital nos próximos pleitos.