As campanhas à Presidência começaram oficialmente nas ruas neste domingo (16), quando a Justiça Eleitoral liberou atos públicos segundo o calendário: propaganda livre até 3 de outubro e comícios autorizados entre 8h e meia‑noite (até 1º de outubro). A abertura se concentrou em redutos simbólicos — São Bernardo do Campo, Copacabana e municípios goianos — em uma clara aposta na mobilização das bases desde o primeiro dia.

Em São Bernardo, o ex‑presidente explorou o simbolismo do local ligado às mobilizações operárias para reforçar sua narrativa de legado e proteção de pautas sociais e de soberania. O comício também serviu para nacionalizar a agenda do partido e integrar candidaturas regionais, priorizando a ativação da militância em vez de movimentos de conversão de eleitores indecisos. O foco em temas sociais e em disputas com a direita sinaliza que a campanha buscará consolidar um eleitorado histórico.

Na orla do Rio, a campanha do candidato ligado ao bolsonarismo escolheu Copacabana — cenário de manifestações recentes — para enfatizar continuidade de discurso e marca familiar. O candidato reproduziu o argumento de injustiça em torno da prisão do ex‑presidente e anunciou promessas de mudanças institucionais, como a indicação de quatro ministros para o STF, além de propostas duras em segurança (classificação rigorosa a milícias e redução da idade penal) e medidas rápidas de ajuste econômico contra a alta da Selic, citada no evento.

Em Goiás, o candidato que deixou o governo estadual abriu a campanha em sua base política, onde, segundo pesquisas, aparece em posição de vantagem. O conjunto de estreias aponta um padrão: os partidos privilegiam celebração e mobilização em territórios seguros. Isso acende alerta sobre o caráter polarizado e mobilizatório desta fase inicial — a disputa tende a se concentrar em narrativas identitárias, promessas de segurança e intervenção nas instituições, com menos sinais de busca ativa por centro e eleitores além das bancadas já conquistadas.