A Justiça italiana autorizou a soltura da ex-deputada Carla Zambelli nesta sexta-feira (22/5), após quase um ano presa. Mais cedo, a Suprema Corte de Cassação da Itália rejeitou um pedido de extradição, mas a situação processual da brasileira no país ainda não foi definitivamente resolvida.

O caso que motivou a prisão está ligado à invasão de um sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), indicada à Justiça italiana como o episódio em que teria sido emitido um mandado de prisão falso contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Zambelli chegou a ser condenada, na soma dos processos, a dez anos de prisão; também responde no Brasil por episódio em São Paulo durante as eleições de 2022.

Após a decisão de soltura, a defesa divulgou vídeo com imagens da ex-deputada comemorando e atribuindo o desfecho a fatores pessoais. O nome de Zambelli havia sido incluído na Difusão Vermelha da Interpol depois que deixou o país para evitar a execução da pena. A movimentação judicial na Itália segue: o ministro da Justiça, Carlo Nordio, tem até 45 dias a partir da publicação do acórdão para se manifestar sobre eventual extradição.

Politicamente, a soltura pode alimentar a narrativa de vitimização entre bolsonaristas e reacender tensões em torno da cooperação jurídica internacional em casos de crime e política. Ao mesmo tempo, a permanência de um processo ativo e a decisão final de Nordio mantêm aberta a possibilidade de nova etapa judicial. A questão prática é simples: Zambelli ganhou liberdade provisória, mas não a garantia de retorno imediato ao Brasil livre de pendências.