Na manhã de segunda-feira (27/4), o ex-vereador Carlos Bolsonaro voltou a criticar o entorno do irmão Flávio em uma publicação pública que resgatou uma declaração de 2023 do ex-governador Romeu Zema sobre reforma tributária. Na postagem, Carlos traduz preocupações econômicas levantadas a investidores — segundo ele — e adverte que as escolhas de aliados e conselheiros podem levar a um caminho politicamente mais difícil para a pré-candidatura do senador. A mensagem mistura alerta programático sobre tributos com uma cobrança pessoal: ele pede que Flávio dê atenção a conselhos que, segundo afirma, vêm sendo dados há tempos.

O recado ocorre no contexto de intensificação de movimentações internas no PL. Nos últimos dias, Carlos publicou levantamentos que busca junto a prefeitos e lideranças do partido, criticou o que chamou de insuficiente demonstração de apoio e estimulou base e correligionários a cobrarem posicionamento local — atitude que admite poder gerar desgaste dentro da sigla. A menção a Zema, que mantém intenção de candidatura própria, também insere no debate a tensão entre manter nomes do centro-direita independentes ou buscar acomodação para formar uma frente mais ampla.

Do ponto de vista político, a postagem funciona como um termômetro de duas pressões simultâneas: a interna, sobre a capacidade de Flávio de consolidar apoio no PL; e a externa, sobre a articulação de alianças que não afugentem potenciais parceiros do centro-direita. Ao transformar uma discordância de estratégia em exposição pública, Carlos amplia desgaste em torno da pré-campanha e complica a narrativa de unidade que o campo bolsonarista tenta projetar. Além disso, a ênfase em sinais de mercado e reclamações de investidores tem potencial para reverberar eleitoralmente, ao alimentar críticas sobre viabilidade econômica de propostas defendidas por aliados.

A aposta declarada de Carlos — de que a direita deve se unir já no primeiro turno — colide com a realidade mostrada pelo episódio: escolhas pessoais, leituras distintas sobre reformas e a disposição de figuras como Zema em manter candidatura própria tendem a tornar a costura mais difícil. Resta ao PL e à coordenação da pré-campanha de Flávio decidir se a estratégia será disciplinar apoios, ampliar negociação com nomes do centro ou tentar acomodar críticas internas antes que se transformem em prejuízo maior para a consolidação eleitoral. O recado de 27/4 é mais que ruído: é um sinal de que a pressão interna pode se traduzir em custo político concreto se não houver um ajuste rápido de estratégia.