O senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC) participou na manhã desta quarta-feira (28) de uma visita de cerca de duas horas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Em relato publicado nas redes sociais, Carlos afirmou que conversou com o ex-chefe do Executivo sobre política e futebol e que Jair ainda busca assimilar a sequência de eventos que tem envolvido a família nos últimos dias, mas mostrou-se determinado a seguir em frente.

Segundo o filho '02', a conversa teve momentos de emoção. Ele disse ter pedido desculpas ao pai e que saiu do encontro revigorado, com a impressão de que Jair Bolsonaro também ficou melhor do ponto de vista emocional. A formalização das declarações e a publicação do vídeo reforçam a estratégia de comunicação familiar, que busca exibir unidade diante das crises judiciais e do desgaste público.

Carlos voltou a defender a libertação de pessoas que considera presas por motivação política e qualificou o pai como um 'preso político', justificando a prisão domiciliar por comorbidades. Jair Bolsonaro cumpre regime domiciliar humanitário após condenação em processo sobre tentativa de golpe de Estado, com pena de 27 anos e três meses imposta pelo STF — situação que segue no centro de disputas jurídicas e políticas.

O encontro ocorreu pouco antes de Flávio Bolsonaro embarcar para Miami, nos Estados Unidos, após cruzar a fronteira com a Argentina e seguir em jato particular com escala no Equador. A saída do país deu sequência à repercussão do não cumprimento do prazo para entrega de passaportes determinado pelo ministro Alexandre de Moraes. Juridicamente, o episódio pode gerar desdobramentos, mas eventual providência caberá às autoridades competentes. Politicamente, a movimentação complica a narrativa do grupo e amplia desgaste diante de aliados e da opinião pública.

Carlos afirmou que continuará atuando politicamente e mantendo apoio ao pai. A manutenção da estratégia de visibilidade e contestação ao Judiciário sustenta coesão interna, mas também expõe o PL a custos eleitorais e institucionais: além de possíveis consequências legais para os envolvidos, a postura tende a reforçar críticas sobre desprezo a decisões judiciais e sobre a responsabilidade do entorno do ex-presidente.