A ministra Cármen Lúcia cancelou sua participação na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, marcada para sexta-feira (11/9). O anúncio foi feito pelo perfil oficial do evento; a magistrada tinha duas aparições previstas — uma conversa com Lilia Schwarcz e um debate sobre democracia — e as mesas foram mantidas sem ela.

A decisão ocorre em um momento de tensão no Supremo: reportagem do Estadão trouxe detalhamentos sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro no episódio conhecido como caso Master. O material atribui pedidos de intervenção do banqueiro para frear apurações, além de menções a contratos, movimentações financeiras e benefícios a familiares. Trechos de investigações tiveram sigilos quebrados na virada da quinta para a sexta.

O quadro elevou os riscos políticos e institucionais para a corte. Na próxima terça (15), o plenário deve analisar pedido do ministro André Mendonça para investigar Moraes; jornalistas e analistas já apontam os votos de Edson Fachin e Cármen Lúcia como decisivos. A permanência dela em Brasília reforça a percepção de que o tribunal terá um julgamento de alto teor político e amplia o desgaste público sobre a corte.

Mais que ausência em um evento cultural, o episódio acende alerta sobre como a crise restringe a agenda pública de integrantes do STF e alimenta o debate sobre transparência e confiança nas instituições. A expectativa é que a sessão do dia 15 esclareça rumos processuais e políticos, mas o ambiente já registra maior exposição midiática e pressão de oposição e da sociedade.