A ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia participou da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e lançou Pela Mão do Povo — Democracia e Voto no Brasil, organizado com Heloísa Starling e Nayara Henriques Pinto. A obra traça uma linha do tempo do voto, das sociedades pré-históricas à informatização eleitoral dos anos 2000.
Na mesa de debates, a magistrada defendeu a democracia como prática cotidiana e colocou na agenda a meta de 50% de ocupação feminina em cargos públicos e privados. Para fundamentar a reivindicação, citou dados demográficos: mulheres são maioria da população, mas não chegam a 25% das cadeiras legislativas, sinal de que faltam mudanças estruturais.
voto é direito, não sobrecarga
Cármen Lúcia também voltou a ressaltar a segurança do sistema de votação eletrônico, posição relevante a poucas semanas do pleito: “não acredito que alguém em sã consciência tenha dúvidas sobre sua segurança”, afirmou. Ela manifestou preocupação com a abstenção entre idosos — apenas 43% compareceram na última eleição — e colocou o tema como indicador político a ser monitorado.
No tom mais pessoal, a ministra valorizou arte e educação como fundamentos da democracia e chegou a dizer que teme a “desinteligência natural” mais do que a inteligência artificial. Encerrou com mensagem de otimismo sobre a sociedade civil. O conjunto das declarações reforça a defesa institucional do sistema eleitoral e amplia o debate público sobre representatividade feminina às vésperas do pleito.