A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, usou sua fala em evento da BBC em São Paulo para reafirmar a importância da proteção do sigilo da fonte como componente essencial da atividade jornalística. Ao deixar claro que a liberdade de imprensa é amparada pela Constituição, a ministra buscou colocar o tema no campo dos direitos fundamentais, não do debate político imediato.
Cármen Lúcia invocou o artigo 220 e o inciso XIV do artigo 5º da Constituição ao explicar que a garantia à imprensa e a proteção do exercício profissional — incluído, quando necessário, o sigilo da fonte — têm respaldo legal. Ela ressaltou, porém, que não pretendia comentar casos concretos durante o evento, lembrando a vedação legal de manifestar opinião sobre processos ainda pendentes no STF.
A manifestação ocorre dias depois de o ministro Alexandre de Moraes autorizar uma operação de busca e apreensão contra a fonte de um jornalista que denunciou supostas irregularidades envolvendo o ministro Flávio Dino. O episódio reacende o debate sobre o equilíbrio entre medidas investigativas e salvaguardas à atividade jornalística, e levanta dúvidas sobre como a Corte e demais instituições têm calibrado esses limites.
Por fim, a ministra afirmou que, quando o assunto chegar ao plenário, terá de registrar seu voto — posição que, segundo ela, é conhecida historicamente pelo Supremo em defesa do direito de imprensa. A declaração funciona como um alerta institucional: embora a proteção à imprensa pareça consolidada no plano constitucional, a tensão entre instrumentos de investigação e garantias democráticas exige critérios claros para evitar perda de confiança e desgaste institucional.