A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido liminar do candidato Renan Santos (Missão) para ser incluído no debate da TV Globo marcado para esta quinta-feira. O recurso chegou ao STF depois de o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, rejeitar a solicitação do partido por entender que a legenda não atende ao critério de representação parlamentar previsto pela emissora.

No TSE, Nunes Marques aplicou o parâmetro de representação — que exige mais de um deputado na bancada ou um mínimo de parlamentares para garantir presença em debates — e considerou que a Globo não é obrigada a convidar outro concorrente diante de ausências. O Missão argumentou que regras editoriais permitiriam substituição e que o partido foi incluído em outras frentes de cobertura, mas a ministra do STF não concedeu a tutela de urgência pleiteada.

Com a decisão, Renan Santos permanece fora do último debate televisivo antes do primeiro turno. Participarão do encontro Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo); o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia sido inicialmente convidado, mas abriu mão da participação. Na prática, a negativa reduz as oportunidades de exposição para candidaturas de menor alcance e acende alerta sobre as barreiras institucionais que limitam o acesso à grande mídia na reta final da campanha.

Além do impacto direto na visibilidade do Missão, a matéria coloca em debate o limite entre critérios técnicos de representação e o princípio da igualdade entre concorrentes. A decisão também reforça que disputas sobre inclusão em pautas editoriais tendem a ter respostas restritas pela Justiça, obrigando candidatos com menor força parlamentar a buscar alternativas de comunicação nos últimos dias antes do pleito.