A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, usou a aula magna na Universidade de Brasília para lançar um alerta sobre a fragilidade tanto da vida quanto da democracia, e para apontar a educação como pilar de proteção das instituições. A magistrada disse que é preciso lutar diariamente pela preservação da vida e dos mecanismos democráticos, numa fala dirigida à comunidade acadêmica no Auditório ADUnB.
Ao relacionar avanços tecnológicos e crise climática, a ministra situou o debate em um cenário de riscos inéditos que exigem respostas públicas articuladas. Essa combinação de desafios técnicos e ambientais, observou, não atinge apenas a esfera científica: pressiona a capacidade do Estado e das instituições de garantir direitos e funcionamento democrático. O diagnóstico acende alerta sobre a necessidade de políticas públicas que acompanhem mudanças rápidas sem comprometer liberdades civis nem aprofundar desigualdades.
Cármen Lúcia também chamou atenção para desigualdades de gênero presentes nas universidades e no mercado de trabalho, e lembrou o princípio da dignidade humana como fundamento do direito. Ao destacar que é a única mulher na composição atual do Supremo, a ministra expôs uma lacuna de representatividade que tem implicações institucionais e simbólicas. A percepção de déficit de diversidade tem potencial de ampliar debates sobre inclusão e colocar pressão política por medidas que enfrentem barreiras estruturais.
A mensagem central foi clara: educação e justiça são instrumentos para manter a democracia em funcionamento. Num momento em que fatores externos mudam a velocidade dos riscos, a capacidade do poder público, do Judiciário e das universidades de responder com eficiência e equidade passa a ser também teste de legitimidade. O evento, aberto aos estudantes e com a presença da reitora Rozana Reigota, reforça que o tema transita entre a academia e a agenda pública, exigindo respostas práticas e políticas.