A Universidade de Brasília (UnB) recebeu, nesta quarta-feira (22/04), a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia. Na condição de única mulher na mais alta corte do país, a ministra usou a aula magna para chamar atenção ao avanço de discursos misóginos e ao papel das redes sociais em naturalizar e disseminar estereótipos.
Cármen Lúcia afirmou que o princípio da dignidade humana deve guiar o direito e criticou a pressão estética ampliada pelo mundo digital. Ela apontou para a busca por soluções rápidas — incluindo o uso intensificado de medicamentos para emagrecimento — como sintoma de uma cultura que prefere moldar corpos do que promover saúde, respeito e igualdade.
Para a ministra, a democracia não se faz uma vez por ano: precisa ser cultivada diariamente. Ela ressaltou que a sala de aula é um espaço central dessa garantia democrática e que a persistente desigualdade de acesso impede que muitos meninos e, sobretudo meninas, tenham condições reais de escolha e libertação.
O diagnóstico esbarra em consequências institucionais claras: se o ambiente digital consolida padrões discriminatórios, cresce a necessidade de respostas públicas — de políticas educacionais a debates sobre regulamentação de plataformas — para proteger a dignidade e evitar que desigualdades culturais se traduzam em exclusão efetiva.