A Procuradoria-Geral da República rejeitou a proposta de colaboração apresentada por Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, enquanto o ministro do STF André Mendonça negou pedido de prisão domiciliar para Daniel Vorcaro e determinou a transferência do banqueiro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, a chamada Papudinha. Juntas, as decisões afastam, ao menos por ora, a assinatura de acordos de delação premiada no caso apurado pela Operação Compliance Zero.

Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril, quando foi detido na quarta fase da investigação. Segundo a apuração, ele é suspeito de ter permitido operações financeiras sem lastro e de negociar com Vorcaro o recebimento de ao menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões — dois deles em Brasília. Costa torna-se o segundo investigado no inquérito a ter proposta de colaboração rejeitada pela PGR.

No caso de Vorcaro, a Polícia Federal comunicou que encerrou as negociações para acordo em 10 de junho e a PGR acompanhou esse entendimento ao negar o pedido formulado pela defesa em 15 de junho. O ministro Mendonça sustentou que a manutenção da prisão é necessária para garantir a continuidade das apurações e evitar estratégias de ocultação e blindagem patrimonial. Investigações apontam que Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro, segue gerindo interesses patrimoniais com movimentações recentemente identificadas como compatíveis com tentativas de proteção de bens.

O efeito imediato é o adiamento de um desfecho por colaboração que poderia acelerar a identificação de responsáveis e de mecanismos de movimentação de ativos. Ao recusar acordos e reforçar a custódia, PGR, PF e STF sinalizam prioridade à preservação de elementos investigativos e à contenção de eventuais estratégias de blindagem. Para a apuração, o caminho passa agora por medidas tradicionais de prova e monitoramento patrimonial, em vez de depoimentos negociados.