A pesquisa Genial/Quaest, com 2.004 entrevistados entre 5 e 8 de junho e margem de erro de 2 pontos percentuais (registro BR-07661/2026), mostra que o chamado caso Dark Horse já deixou marcas na avaliação pública de Flávio Bolsonaro. Grande parcela do eleitorado tinha conhecimento das denúncias e reagiu com desconfiança: 65% entendem que o senador errou ao buscar apoio financeiro para o filme; 60% consideram que as conversas com Daniel Vorcaro levantam suspeitas de irregularidades; e 62% afirmam ter dúvidas sobre a versão apresentada por Flávio. Além disso, 58% acreditam que ele pode estar ocultando envolvimento ilegal ligado ao caso do Banco Master.

Os números sinalizam consequência política direta: o episódio amplia a rejeição do senador e reduz sua capacidade de conquistar eleitores fora do núcleo bolsonarista. Em cenários de segundo turno testados pelo levantamento, Flávio aparece como o nome mais competitivo do campo, mas ainda perde por seis pontos em um confronto com o presidente Lula em uma das simulações — um resultado que realça como temas de imagem, confiança e integridade pesam tanto quanto questões econômicas na formação de voto.

Do ponto de vista de estratégia eleitoral, o efeito é claro e prático: o caso acende alerta para a pré-campanha. Revelações que geram dúvidas sobre conduta pessoal tendem a limitar esforços de “expansão” do eleitorado, obrigando a campanha a gastar capital político para esclarecer ou conter o dano. Mesmo que o impacto seja reduzido entre apoiadores firmes, a rejeição crescente entre eleitores indecisos ou moderados complica a narrativa e pode exigir mudanças de mensagem, prioridades e alocação de recursos.

A pesquisa funciona como retrato do momento, não como sentença definitiva. Ainda assim, a convergência de indicadores — conhecimento amplo do caso, percepção de erro ao buscar financiamento e suspeitas sobre envolvimento — coloca pressão política. Para um potencial candidato cujo projeto depende de ampliar base eleitoral, o desafio é duplo: responder às dúvidas levantadas sem criar nova fonte de desgaste e recuperar espaço entre eleitores que já demonstraram afastamento. O resultado deixa claro que, em 2026, integridade e transparência deverão ocupar lugar central no debate eleitoral, ao lado de emprego e inflação.