O escândalo do Banco Master avançou do circuito financeiro para o centro político em Brasília. Em sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) que presidia, o senador Renan Calheiros afirmou que o presidente da Câmara, Hugo Motta, apresentou uma emenda que teria o potencial de direcionar recursos de fundos de previdência a empresas do segmento de ativos ambientais — um desdobramento que, para Calheiros, beneficiaria interesses ligados ao proprietário do banco liquidado, Daniel Vorcaro. O senador também declarou que a cunhada de Motta teria recebido um empréstimo de R$ 140 milhões do Master, sem cobrança subsequente.

O teor da emenda contestada previa que entidades previdenciárias aplicações ao menos 1% das reservas técnicas em ativos ambientais, incluindo créditos de carbono. A proposta, aprovada nas duas Casas do Congresso e sancionada pelo presidente da República, foi defendida pela assessoria de Motta como fruto de um “acordo partidário” e com a justificativa oficial de atrair receita do setor de seguros para projetos de sustentabilidade. Calheiros, porém, sustenta que a mudança criou um fluxo de investimentos que favoreceria empresas nas quais a família Vorcaro já atuava.

Além da acusação sobre a emenda, Calheiros citou o suposto empréstimo de R$ 140 milhões à cunhada do presidente da Câmara — operação que, segundo ele, venceu e não teve parcelas pagas nem cobranças efetivadas. Sem apresentar provas públicas no momento, o senador também insinuou a existência de outros vínculos ilícitos envolvendo parlamentares e operadores financeiros. Para apurar a extensão da exposição de recursos públicos, ele encaminhou requerimento ao Ministério da Previdência Social solicitando acesso a auditorias sobre operações e investimentos de fundos de previdência estaduais e municipais relacionados ao Master.

O caso expõe riscos políticos e fiscais: ao transformar dispositivos legais em potencial canal de recursos para setores específicos, a emenda passa a ser vista não apenas como política pública ambiental, mas como ponto de vulnerabilidade diante de fraudes financeiras. O episódio amplia desgaste sobre a Câmara e sobre quem assinou e patrocinou a alteração, pressionando por transparência e investigação. Motta, por sua vez, negou responsabilidade por empréstimo feito por terceiros e reiterou a natureza partidária e ambiental da proposta. A situação deve exigir respostas formais e documentação que confirmem ou afastem as suspeitas sobre a apropriação indevida de recursos de previdência, sob risco de maior desgaste institucional.