A tentativa de fechar um acordo de delação premiada pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, começou a perder fôlego nos autos da Operação Compliance Zero. Fontes da Polícia Federal afirmam que, até agora, a defesa não apresentou elementos inéditos ou robustos capazes de movimentar as investigações, reduzindo o interesse das autoridades por um acordo que valha a pena para as apurações.
O cenário se complicou com a saída do advogado Eugênio Aragão da equipe de defesa. Aragão havia condicionado qualquer colaboração à existência de provas consistentes e em nota citou critérios de seriedade profissional; nos bastidores, a troca reforçou dúvidas sobre a capacidade da defesa de entregar informações decisivas. A expectativa de encaminhamentos — como a assinatura de termo de confidencialidade seguida da entrega de documentos — também não se confirmou até o momento.
Costa está preso preventivamente desde abril e chegou a pleitear transferência para unidade da Polícia Federal, movimento que costuma acompanhar tratativas formais de colaboração. Investigadores sustentam, porém, que boa parte dos fatos já foi obtida por quebras de sigilo, apreensões de aparelhos e depoimentos de outros envolvidos. Para despertar interesse, a colaboração precisaria trazer provas novas e de maior impacto.
Se a delação naufragar, a consequência imediata é a perda de uma via potencial para avançar contra alvos que, segundo a PF, podem incluir autoridades do Distrito Federal e operadores ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Além do desgaste político, a falta de material inédito limita a margem de manobra dos investigadores e prolonga a tramitação do caso, que segue sob análise da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.