Fontes próximas às investigações dizem que o ex‑presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa (PHC), está nas fases finais da negociação de uma delação premiada com a Polícia Federal. A previsão é que ele assine, na próxima semana, um termo de confidencialidade, entregue o material aos investigadores e que a defesa protocole oficialmente a colaboração até o fim do mês.
A avaliação dos investigadores é de que a colaboração de PHC tem conteúdo robusto, sobretudo sobre o caminho do dinheiro, e incluirá referências a autoridades do Distrito Federal e também a integrantes da esfera federal. A delação é tratada como complementar à Operação Compliance Zero: reforçaria o setor documental do inquérito e ajudaria a desenhar o organograma do esquema que trouxe prejuízo bilionário ao BRB.
A iniciativa partiu do próprio ex‑chefe do banco, que mudou de advogados para negociar a colaboração. Sua transferência para o 19º Batalhão da PM (Papudinha) facilitou o contato com membros da PF. O episódio contrasta com a delação do dono do Master, Daniel Vorcaro, cujo material foi inicialmente considerado fraco pela PF e pela PGR — avaliação que, na opinião de fontes, o deixaria sujeito a pena mais dura e a medidas cautelares sobre patrimônio, caso não apresente prova consistente.
Nesta sexta, a equipe da PF pediu ao ministro do STF André Mendonça prorrogação do prazo do inquérito, citando novas linhas de investigação. Politicamente, a trajetória da delação pode ampliar o desgaste de autoridades citadas, criar pressão sobre o governo local e sobre órgãos de controle, e elevar as apostas no plano penal e institucional. Trata‑se, porém, de um retrato do momento: a colaboração precisa ser homologada e comprovada para produzir efeitos jurídicos definitivos.