A divulgação de mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro negocia recursos com o banqueiro Daniel Vorcaro reacendeu o clamor por uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para apurar fraudes envolvendo o banco Master. Na sessão conjunta do Congresso, porém, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, recusou a leitura do requerimento de instalação da comissão, alegando outras prioridades na pauta. A decisão adiou um encontro direto entre acusações e explicações públicas, e elevou a temperatura política em Brasília.

As conversas, publicadas pelo Intercept Brasil, apontam para a cobrança de R$ 134 milhões atribuída a Flávio Bolsonaro, valor que o senador voltou a classificar como investimento privado sem irregularidade. No plenário, Flávio tentou deslocar o foco do próprio envolvimento ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal, sugerindo que personagens como o presidente Lula e ministros também teriam vínculos que merecem apuração. O esforço para ampliar o leque de suspeitas combina defesa pública com estratégia política de desgaste do adversário.

Na reação imediata, parlamentares governistas reforçaram pedidos de esclarecimento: o deputado Lindbergh Farias exigiu explicações sobre a proximidade entre Flávio e Vorcaro, citando gravações em que o senador trata o empresário de forma afetuosa, e levantou suspeitas sobre movimentações atribuídas ao chamado fundo Raven Gate e a vínculos financeiros com membros do clã Bolsonaro. Do lado oposicionista, o líder do PL no Congresso afirmou que a cobrança pela CPMI continuará e que cabe ao presidente da sessão efetivar a leitura do pedido. Alcolumbre, por sua vez, justificou que a sessão tinha como objetivo deliberar vetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias, motivo pelo qual não atendeu à demanda.

O impasse tem consequências concretas: para Flávio, a tática de deslocar o debate pode ganhar tempo, mas também mantém em evidência gravações e trocas que alimentam suspeitas; para o Congresso, adiar a leitura pode ser interpretado como um fechamento institucional diante de um escândalo que clama por transparência, com risco de desgaste político para líderes que optarem por postergar a investigação. A pressão por uma CPMI deve persistir nas próximas semanas, transformando o caso Master em tema recorrente na agenda de disputa entre Legislativo, Executivo e Judiciário.