O publicitário Thiago Miranda, sócio do Portal Léo Dias e proprietário da Agência Mithi, confirmou à Polícia Federal, em depoimento nesta terça-feira (12) em Brasília, que organizou uma estrutura de influenciadores a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo apurado, o objetivo era amplificar conteúdo crítico à liquidação do banco e dar suporte a sinalizações do Tribunal de Contas da União (TCU) que pudessem reverter a medida do Banco Central.

Miranda disse que fechou contratos com perfis de grande alcance — entre eles nomes e páginas de grande audiência — e distribuía o conteúdo que deveria ser repercutido. Ele afirmou ter contato frequente com Vorcaro após a saída do empresário da prisão, no fim do ano passado, e que se ofereceu para atuar na recuperação da imagem do executivo. No depoimento, o publicitário negou ter sido responsável por ataques explícitos às instituições, mas confirmou a criação da malha de divulgação.

O que o relato coloca em evidência é a articulação de uma campanha paga para moldar narrativas sobre um processo regulatório sensível. A existência do chamado "Projeto DV", reportado por O Globo e confirmado por outros veículos, soma-se ao depoimento e reforça o uso de redes sociais como espaço de pressão sobre decisões de autoridades financeiras. Um dos alvos citados era Renato Gomes, diretor de Supervisão do Banco Central, que conduziu a liquidação.

Além do aspecto reputacional para Vorcaro e para o próprio Master, o episódio tem implicações institucionais: levanta questões sobre transparência em campanhas digitais que miram órgãos reguladores e sobre a vulnerabilidade da opinião pública a operações coordenadas. O depoimento de Miranda integra as apurações em curso e pode provocar desdobramentos jurídicos e políticos à medida que a investigação avança.