O senador Carlos Viana (Podemos‑MG) intensificou a pressão sobre o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, ao afirmar que mensagens encontradas no celular do ex‑controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, exigem explicações públicas. Em entrevista, Viana listou três pontos que, segundo ele, precisam ser esclarecidos: uma selfie de Gonet com Vorcaro endereçada pelo advogado do banqueiro, diálogos sobre viagem a Londres e pagamento de despesas do filho do procurador, e uma mensagem em que Vorcaro pede “proteção” e menciona um nome associado a Gonet.

O senador pediu que a sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, marcada para 25 de setembro, ocorra abertamente e que os votos individuais dos conselheiros sejam divulgados. Para Viana, julgar o chefe do MPF a portas fechadas fragiliza a transparência do processo e alimenta suspeitas sobre eventuais privilégios internos. Ele ressaltou que a questão central não é provar amizade, mas entender por que um investigado acreditaria poder contar com a proteção do procurador‑geral.

Gonet nega relação de amizade com Vorcaro e afirma que o encontro em Londres se deu durante um evento com outras autoridades. Ainda assim, a solicitação do procurador‑geral ao Supremo Tribunal Federal para anular o relatório que contém as conversas — e que motivou a divulgação das mensagens — complica a leitura política do caso e acende alerta sobre a capacidade do MPF de gerir crises internas sem perda de legitimidade.

O episódio tende a ampliar a pressão sobre a cúpula do Ministério Público e a gerar cobrança por maior publicidade dos procedimentos disciplinares. Além do efeito imediato sobre a imagem de Gonet, a disputa coloca o Conselho Superior sob o escrutínio público e pode produzir efeitos institucionais: se prevalecerem dúvidas sobre imparcialidade, aumentam os riscos de desgaste político e de questionamentos sobre a autonomia e a governança do MPF.