Quase duas semanas depois de ter uma proposta de delação recusada pela Polícia Federal, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou nova proposta de colaboração premiada e entregou documentos à PGR e à PF. Segundo fontes ligadas ao caso, o material inclui detalhes sobre repasses feitos à produção do filme Dark Horse e aponta pedidos de recursos atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro e ao presidente do PP, Ciro Nogueira. Os órgãos vêm avaliando desde a entrega se há elementos suficientes para firmar o acordo.
Vorcaro teria descrito quantias negociadas para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro e confirmado pedidos envolvendo Flávio. Mensagens já divulgadas por veículos de imprensa indicaram negociação de R$ 124 milhões, dos quais pelo menos R$ 60 milhões teriam sido efetivamente transferidos. Investigadores suspeitam que parte dos valores não destinou-se exclusivamente à produção cinematográfica e chegam a apontar uso para custear atividades do grupo político ligado aos Bolsonaro no exterior e para possíveis operações de lavagem de dinheiro que teriam ocultado prejuízos ao BRB e outras fraudes atribuídas ao Master.
Ciro Nogueira também aparece na nova proposta. O presidente do PP foi alvo de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, e as investigações apuram se o parlamentar atuou no Congresso para favorecer o Master em troca de vantagem indevida, inclusive por meio de emenda ao FGC que ficou conhecida nos autos como a chamada 'emenda Master'. Nogueira tem negado irregularidades. A presença de dois nomes com peso político eleva o potencial impacto institucional do caso e acende alerta sobre o custo político para alianças e narrativas de campanha.
A defesa de Vorcaro afirma ter apresentado agora documentos suplementares que justificariam a colaboração. A PF rejeitou a proposta anterior ao concluir que o delator omitia informações e protegida terceiros; esse histórico aumenta a exigência de comprovação dos novos elementos. Flávio Bolsonaro negou ter feito pedidos ilícitos e disse que os recursos foram destinados a um projeto privado de cinema — afirmação que a investigação terá de confrontar com provas de transações e com o conteúdo do material entregue. O desfecho do exame pela PF e pela PGR definirá se a nova delação amplia desgaste político para os citados e complica a narrativa oficial em ano eleitoral.