O ex-governador Cláudio Castro anunciou publicamente a desistência da candidatura ao Senado pelo PL do Rio de Janeiro após a divulgação de diálogos que revelam proximidade com o empresário Daniel Vorcaro. Segundo interlocutores, Castro disse que vai concentrar esforços na sua defesa diante do avanço das apurações da Polícia Federal, que nos últimos quinze dias realizou diligências relacionadas a supostos favorecimentos à Refit e a aportes milionários do Rioprevidência.
As conversas obtidas pela investigação mostrariam momentos de intimidade entre Castro e Vorcaro: convites para degustação de charutos e uísques em clubes exclusivos, e um jantar em Nova York no Nusr‑Et Steakhouse que, segundo relatório da PF, incluiu carnes folheadas a ouro, rótulos como Vega‑Sicilia Único 2013 e champanhes de alto valor. O documento cita custo estimado em torno de R$ 60 mil e registros de débito no exterior — elementos que, na avaliação de dirigentes do PL, tornaram a candidatura insustentável.
A decisão de se afastar da disputa foi comunicada ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e ao presidente do diretório fluminense, Altineu Côrtes. Para a cúpula partidária, a prioridade é blindar a pré‑campanha do senador Flávio Bolsonaro e evitar que o caso contamine candidaturas ao Congresso e à Alerj. Com a saída de Castro, o PL já começou a articular um substituto: o deputado Sóstenes Cavalcante surge como nome mais cotado na disputa pela vaga ao Senado.
O cenário jurídico-político do ex-governador permanece complexo. Ele teve decisão de inelegibilidade decretada pelo TSE pouco depois de renunciar ao Palácio Guanabara, e há uma suspensão processual em curso após pedido de vista de um ministro do Supremo. No plano estadual, a presidência interina do Tribunal de Justiça do Rio assumiu o governo e tem desmobilizado a estrutura política ligada a Castro, enquanto episódios como a prisão do deputado Rodrigo Bacellar e a sucessão na Alerj acrescentam incerteza ao seu entorno.
Politicamente, a retirada de Castro acende alerta no campo governista: além de ampliar o desgaste do PL no Rio, a crise complica a narrativa oficial sobre integridade e gestão, força uma reestruturação rápida da chapa e pode repercutir na estratégia de Flávio Bolsonaro para 2026. Resta agora acompanhar se a movimentação do partido se limitará a recompor a corrida ao Senado ou se as consequências jurídicas e políticas das investigações vão aprofundar a necessidade de uma reação mais ampla por parte do grupo político que até agora orbitava o ex‑governador.