A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (20/5), a indicação do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves para ocupar a corregedoria nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O placar de 21 votos a 5 na comissão qualifica o nome para a votação em plenário, etapa em que o candidato precisa angariar maioria simples para assumir o biênio 2026–2028.

Veterano do Judiciário, com passagem por cargos na Polícia Federal e na Polícia Civil do Distrito Federal antes de ingressar na magistratura federal, Gonçalves está no STJ desde 2008 e soma mais de cinco décadas em serviço público. Na sabatina, ele afirmou compromisso com a Constituição e enumerou metas administrativas, entre elas ampliar a atuação dos projetos do CNJ nas instâncias locais — posicionamento que tende a agradar uma parte dos senadores interessados em eficiência e controle institucional.

A indicação, proposta pelo presidente do STJ, Herman Benjamin, e relatada favoravelmente pelo senador Cid Gomes, não chega ao plenário sem ruídos. A atuação de Gonçalves no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que resultou em medidas como a declaração de inelegibilidade de figuras públicas, tem potencial para reacender críticas de segmentos políticos afetados por essas decisões. Esse histórico pode transformar o debate em plenário em um teste de lealdades e de custo político para senadores que costumam evitar confronto com eleitorados mobilizados.

Mais do que uma escolha administrativa, a confirmação de Gonçalves pode influenciar o balanço de forças entre o Judiciário e atores políticos que questionam decisões eleitorais recentes. Para governismo e oposição, a votação no Senado será um termômetro: aval positiva ratifica um perfil de corregedoria focado em formalização e alcance institucional; rejeição ou disputa acirrada exporia fragilidades políticas e ampliaria o desgaste da Casa numa agenda sensível à opinião pública. O placar final no plenário definirá se a indicação se transforma em rotina institucional ou assunto de alta repercussão política.