A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (29/4), a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal por 16 votos a 11. A decisão do colegiado ocorreu após uma sabatina que durou cerca de oito horas e agora encaminha o nome ao plenário, onde serão necessários pelo menos 41 dos 81 votos para a confirmação.

Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro e formalizado apenas em abril — numa tentativa do governo de ampliar sustentação parlamentar — Messias teve atuação conciliadora na sabatina. Fez acenos ao Congresso e ao segmento evangélico, afirmou que seus princípios cristãos marcam sua trajetória, mas defendeu a laicidade do Estado. Em temas sensíveis, disse ser contrário ao aborto, com ressalvas para os casos previstos em lei, e classificou os atos de 8 de janeiro como episódios graves, afirmando ter atuado para proteger o patrimônio público.

A votação secreta, tanto na CCJ quanto no plenário, dificulta identificar compromissos individuais dos senadores, o que reduz a visibilidade política das escolhas e amplia o espaço para negociações discretas. O placar de 16 a 11 mostra trânsito favorável, porém não folgado; para o governo é um sinal de que será preciso intensificar articulação e concessões para alcançar a maioria necessária.

O desfecho no plenário terá impacto prático e simbólico: além de preencher a vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso, testará a capacidade do Planalto de costurar apoio no Senado. Uma rejeição causaria desgaste político e custos para a base; a aprovação confirmaria que o Executivo conseguiu traduzir interlocução em votos, mas não elimina o ônus político das negociações por trás do processo.