O relator da proposta que prevê a extinção da escala 6x1, deputado Paulo Azi (União-BA), apresentou nesta quarta-feira parecer favorável à admissibilidade da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ao reconhecer a constitucionalidade das propostas que reduzem a jornada, Azi abriu caminho para a tramitação na Câmara, mas foi enfático ao pedir cautela na implementação.
No relatório, o parlamentar destacou a necessidade de um debate aprofundado sobre regras de transição. Azi argumentou pela avaliação dos efeitos setoriais e pela definição de mecanismos graduais e possíveis medidas compensatórias para empresas, buscando mitigar impactos operacionais e custos imediatos decorrentes da mudança de escala.
O impulso à pauta também veio do Executivo: na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou mensagem ao Congresso favorável à redução da jornada e à revisão da 6x1. A pressão nas ruas se manteve após a Marcha da Classe Trabalhadora, quando presidentes de centrais sindicais entregaram uma pauta ao presidente da Câmara, Hugo Motta, e concederam entrevista coletiva em frente à Presidência.
A admissibilidade na CCJ não representa votação final, mas transfere a disputa para a comissão especial, onde serão definidos formato, prazos e compensações. A discussão deverá envolver impacto fiscal, custo para empresas — especialmente em setores com jornadas por turnos — e efeitos sobre serviços públicos, temas que exigem estudos técnicos e acordos com empregadores.
Politicamente, a decisão força o governo e sua base a conciliar promessas pró-trabalhistas com exigências de responsabilidade fiscal e previsibilidade para o mercado. A tramitação criará pressão por cronogramas e números concretos; caso os custos e as exceções não sejam bem explicados, a proposta pode ampliar desgaste no Congresso e complicar a narrativa oficial.