A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado deve colocar em pauta, na quarta-feira da próxima semana (2/9), duas propostas prioritárias para o Planalto: a PEC que encerra a escala de trabalho 6x1 e a PEC da Segurança Pública. O presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), confirmou a intenção de pautar a 6x1 após a publicação do relatório, enquanto o relator Omar Aziz (PSD-AM) prepara a apresentação do seu parecer. Fontes do colegiado apontam que os relatores são aliados do governo no Senado.
A estratégia governista é de acelerar a tramitação, com relatos de intenção de manter alterações mínimas para evitar que o texto volte à Câmara e prolongue o processo. A oposição, por sua vez, já se organiza para apresentar requerimentos de adiamento, pedidos de vista e emendas que podem postergar a votação. O cálculo político é claro: aprovar essas pautas agora reforçaria entregas simbólicas ao eleitorado, num momento em que o presidente Lula busca preservar bases antes do pleito.
O relatório da PEC da Segurança, protocolado pelo relator Rogério Carvalho (PT-SE), também caminha para sair sem alterações significativas do substitutivo aprovado na Câmara, na tentativa de acelerar a aprovação e evitar nova análise pelos deputados. Procedimentalmente, um parecer na CCJ exige maioria absoluta — 14 votos — e, depois, a PEC precisa de dois turnos no Plenário do Senado, com 49 votos favoráveis em cada turno. A pressa do governo, na semana de esforço concentrado antes das eleições, abre espaço para crítica: acelerar pautas sensíveis pode ser interpretado como instrumentalização eleitoral e oferece munição à oposição.
Além das PECs, a medida provisória que suspende a chamada "taxa das blusinhas" precisa ser aprovada na Comissão Mista e nos Plenários até 8 de setembro para que a suspensão da tributação seja mantida. A comissão ainda não foi instalada por indefinições sobre seus integrantes. A reunião marcada entre o presidente Lula, o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) e o da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), busca destravar essas nomeações. Nas próximas semanas ficará claro se o governo consegue converter a agenda prioritária em vitórias legislativas ou se verá as iniciativas emperradas, com custo político e risco de desgaste institucional antes do pleito.