A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado oficializou a remarcação da sabatina do advogado‑geral da União, Jorge Messias, para 29 de abril. A mudança, anunciada pelo presidente da comissão, senador Otto Alencar (PSD‑BA), ocorre após um curto impasse sobre a data e tem justificativa logística: muitos parlamentares chegam a Brasília apenas entre o final de segunda e a quarta‑feira.

O rito de confirmação no Supremo exige pelo menos 13 votos favoráveis na CCJ para aprovar o parecer do relator — já manifestado a favor — e, em seguida, a maioria absoluta no Plenário, ou seja, 41 senadores em votação secreta. Esse caráter fechado da votação aumenta a pressão por articulação: declarações públicas tendem a ser raras e o governo precisa montar uma margem confortável de apoios.

Aliados do Planalto intensificam a articulação para garantir essa margem. Há relatos de tentativas de selar compromisso em jantares e reuniões com a cúpula do Senado, incluindo interlocuções que envolvem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Messias também tem se aproximado de gabinetes e feito encontros tanto com a base quanto com opositores.

A alteração da data sucedeu pedido do relator, senador Weverton Rocha (PDT‑MA), que havia proposto antecipar a sessão para 28 de abril por receio do feriado de 1.º de maio. Otto Alencar decidiu manter a data original, citando dificuldades logísticas dos parlamentares e com o objetivo de garantir quórum suficiente para a análise e a votação no mesmo dia.

O episódio mostra que a confirmação de um nome ao STF continua sendo tema de alta sensibilidade política. A necessidade de garantir votos secretos e acomodar agendas parlamentares transforma a sabatina em teste de capacidade de articulação do governo, ao mesmo tempo em que abre espaço para negociações políticas e concessões institucionais.