A eleição para o governo do Distrito Federal foi decidida em dois turnos: Celina Leão (PP) não confirmou a vitória no primeiro turno, mas abriu vantagem suficiente para entrar no segundo com folga relativa. Com 49,93% dos votos válidos, ela ficou a cerca de mil votos da vitória; Leandro Grass (PT) alcançou aproximadamente 35%. O resultado mantém a disputa aberta, mas joga para Celina a condição de favorita num confronto de curto prazo. Analistas ouvidos no CB.Poder destacaram que o crescimento de Grass na reta final surpreendeu por conta da coesão da base petista, mas também enfatizaram que reverter a diferença em duas semanas é tarefa complicada.

Especialistas consultados pelo Correio Braziliense restringem expectativas de transferência integral dos votos de candidatos que ficaram fora do segundo turno — entre eles Paula Belmonte, Kiko Caputo e Capelli. A lógica eleitoral do DF, em que Grass venceu no Plano Piloto e Celina se sobressaiu nas demais regiões administrativas, indica distribuição regionalizada de apoio. Isso significa que o petista precisa não só manter sua base, como arrancar fatias expressivas do eleitorado disperso no centro e na direita para encurtar a margem. Do lado de Celina, o desafio agora é consolidar esses eleitores, evitar dispersão e transformar vantagem num resultado definitivo, adotando tática móvel entre coesão do eleitorado e mobilização por comparecimento às urnas.

O contexto nacional amplifica a leitura política do resultado local. A disputa no DF ocorre em paralelo a uma mudança significativa na composição do Congresso: o PL foi a sigla que mais cresceu, passando de 108 para 149 parlamentares entre Câmara e Senado — com avanço de 99 para 121 deputados e de 9 para 28 senadores — enquanto outras bancadas oscilaram para cima ou para baixo; a Federação União Progressista teve queda relevante. Para analistas como Alexandre Garcia, o voto mostrou um sentimento de mudança e uma reação a atos institucionais recentes, o que alimentou parte do apoio à direita. Essa nova correlação de forças parlamentares pode complicar a governabilidade, independentemente do resultado presidencial, e eleva o custo político de decisões envolvendo Executivo, Congresso e Judiciário.

Do ponto de vista prático, o segundo turno no DF é um teste para a coalizão que sustenta Celina e para a capacidade de Grass de ampliar seu apelo além da militância petista. Em duas semanas, as campanhas terão de disputar não apenas votos, mas também narrativa: segurança, gestão e impacto fiscal — temas caros ao eleitorado local e ao viés editorial que prioriza eficiência e responsabilidade. O cenário atual acende alerta para a governabilidade futura e pressiona ambos os lados: Celina a transformar vantagem em vitória, Grass a construir uma estratégia de crescimento sustentado. O DF, assim, permanece como termômetro político e sinalizador das dificuldades que a nova composição do Congresso pode impor nos próximos anos.