A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), esteve nesta terça-feira no Supremo Tribunal Federal para tratar com o ministro Cristiano Zanin da Ação Direta de Constitucionalidade que discute a possibilidade de venda de bens públicos de Brasília para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A proposta em análise inclui a venda da Central Administrativa (Centrad) por cerca de R$ 2 bilhões, entre outros ativos, medida autorizada provisoriamente por liminar do ministro Edson Fachin.

O caso ganhou urgência porque o BRB foi abalado pela compra de títulos considerados imprestáveis do Banco Master, um esquema que está sob apuração da Polícia Federal. A liminar de Fachin permite a operação, mas a legalidade da venda depende da confirmação pelos demais ministros no plenário do STF. A pauta será julgada no plenário virtual, enquanto, segundo nota da governadora, decisões relacionadas serão também levadas ao plenário físico, em caráter de análise mais ampla.

A presença da chefe do Executivo local no gabinete de Zanin virou alvo de especulação depois que a agenda inicial do ministro mencionou outro tema sensível — mudanças na Lei da Ficha Limpa — que beneficiariam políticos com pendências eleitorais. A governadora emitiu nota negando que tenha tratado do tema, afirmando que a conversa foi exclusiva sobre as medidas envolvendo o BRB. A distinção entre os temas é relevante para a legitimidade política da medida e para a percepção pública sobre prioridades do governo.

Além do aspecto jurídico, a operação tem implicações políticas e fiscais. Vender patrimônio público da capital para cobrir fragilidades de um banco estatal expõe o governo a críticas sobre gestão de ativos, transparência e prioridades orçamentárias. Mesmo com a liminar, a decisão do plenário será o termômetro institucional: se confirmada, abrirá caminho para uma solução de liquidez; se rejeitada, deixará o BRB diante de alternativas mais controversas. Em ambos os cenários, o episódio tende a provocar debates sobre responsabilidade administrativa e custos políticos para a gestão local.