O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello afirmou que o Senado cometeu um erro institucional ao rejeitar a indicação de Jorge Messias, atual advogado‑geral da União, para a Corte. Membro do tribunal entre 1989 e 2020, Mello qualificou a votação como injustificável diante da trajetória profissional do indicado.
A indicação de Messias, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para preencher a vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso, foi rejeitada pelo plenário do Senado no início da noite. Na nota divulgada, o ex‑ministro disse que se perdeu a oportunidade de incorporar ao STF um jurista sério, preparado e comprometido com os valores do Estado Democrático de Direito.
Além da avaliação sobre o perfil do indicado, a manifestação de Celso de Mello acentua as consequências políticas do episódio. Para o governo, a derrota expõe desgaste e reduz margem para indicações futuras sem ampla negociação com o Congresso. Para o Supremo, a recusa pode dificultar composição técnica desejada e alimentar percepção de interferência política nas escolhas da Corte.
A divergência também é sintoma de tensão entre Executivo e Legislativo num momento em que o espaço para acordos sobre ministros tem se estreitado. A declaração de um ex‑integrante do STF reforça o recado da elite jurídica: decisões do Senado neste calibre têm impacto institucional e devem ser justificadas não só por motivos políticos, mas por critérios técnicos claros.