O bloco do Centrão deu um recado claro ao PL: União Progressista (PP e União Brasil), Republicanos e Podemos anunciaram neutralidade em relação à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, frustrando tentativas de composição. As legendas resistiram, mesmo diante do esforço do PL para indicar uma mulher dessas siglas como candidata a vice — opção que incluía a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e nomes como Daniella Marques (Republicanos) e Renata Abreu (Podemos).

No caso da Federação União Progressista, a decisão foi tomada após a convenção e formalizada pela direção, que liberou seus quadros para apoios locais. O Republicanos também optou pela equidistância: a executiva estadual registrou maior número de diretórios favoráveis à neutralidade, e a cúpula deixou claro que a filiação de quadros técnicos não se traduz automaticamente em candidatura a vice. O Podemos, por sua vez, justificou a posição como defesa da unidade interna e do pluralismo de opiniões dentro do partido.

O ambiente de rejeição às costuras do PL elevou, por consequência, a chance de Flávio formar uma chapa 'puro-sangue' — solução que tende a reduzir o tempo de televisão e dificultar a montagem de palanques nacionais. Internamente, parte do PL já discutia sacrificar vagas de deputadas federais para abrir espaço à vice, plano que enfrentou a resistência do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, preocupado em não prejudicar a bancada que pretende ampliar em outubro.

Apesar do isolamento formal, Flávio mantém discurso de que buscará apoio do Centrão até o fim e cita adesões pontuais de líderes regionais e federais que se identificam com sua pré-candidatura. A aposta em apoios pessoais contrasta, porém, com a decisão das executivas partidárias, que definem alianças estruturais e o tempo de propaganda. Na prática, a neutralidade do Centrão força o PL a revisar estratégia eleitoral e a depender mais de recursos próprios e de mobilização direta do eleitorado.

Politicamente, o movimento do Centrão sinaliza cautela: os partidos preferem preservar autonomia e barganhar espaços legislativos e eleitorais em vez de embarcar em arranjos que não deem garantias imediatas. Para Flávio, a sequência de 'nãos' é um sintoma de dificuldade em converter afinidades em compromisso orgânico — e representa um desafio operacional e simbólico para uma campanha que ainda precisa provar capacidade de ampliar bases além da militância ideológica.