A Controladoria-Geral da União (CGU) lançou nesta quarta-feira a Rede Nacional de Integridade Pública, projeto coordenado pela Secretaria de Integridade Pública (SIP). Instituída pela Portaria Normativa CGU 262, de maio de 2026, a iniciativa pretende agrupar órgãos dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário nas três esferas federativas, além de Ministérios Públicos, Tribunais de Contas e Defensorias Públicas.
Além dos entes centrais, poderão se associar unidades setoriais de integridade de autarquias e fundações federais, órgãos municipais responsáveis pela gestão da integridade e conselhos de fiscalização profissional. A fase inicial prevê a criação de uma comissão para elaborar o primeiro regimento interno, convocar Assembleia Geral e conduzir eleições do Conselho Diretivo; as instituições interessadas têm até 30 de junho para manifestar intenção de participação.
Segundo a CGU, a Rede atuará por meio da troca de experiências, capacitação, produção e disseminação de conhecimento, compartilhamento de boas práticas e desenvolvimento de estratégias integradas. O projeto integra o Plano de Integridade e Combate à Corrupção (PICC) do governo federal e tem como metas ampliar transparência e prevenir irregularidades no setor público.
A proposta é coerente com a agenda de fortalecimento institucional, mas a efetividade dependerá da capacidade de articular real integração entre instâncias com diferentes recursos e competências. A exigência de comprovação de atribuições e a definição de regimento interno serão testes iniciais de governança. Sem dotação adequada, regras claras e adesão consistente de estados e municípios, a rede corre o risco de ampliar formalismos em vez de entregar resultados práticos — e, nesse caso, pagar o preço político de uma iniciativa que ficou mais no anúncio do que na aplicação concreta.